Queridos compatriotas

Amigos peruanos

Este ano celebramos o Dia de Portugal num momento especialmente delicado.

Num contexto inesperado, surpreendente e difícil para todos. Tanto aqui no Peru, como em Portugal, como no resto do Mundo. É um desafio tremendo que nos põe à prova, enquanto indivíduos, sociedades e nações. É um desafio que saberemos superar com um espírito de entrega e de união e com a colaboração solidária de todos. É uma batalha que venceremos.

E sairemos mais fortes, mais bem preparados e mais atentos ao essencial: às fragilidades dos nossos modelos económicos, à sustentabilidade do nosso planeta, ao fator demográfico e às condições de equidade social na distribuição da riqueza. E obviamente no respeito das minorias, da promoção da igualdade de género e da defesa de todos os direitos humanos consagrados pelas Nações Unidas, sejam eles políticos, cívicos, sociais ou económicos.

Num mundo cada vez mais instável em que a principal característica parece ser a imprevisibilidade dos acontecimentos, devemos olhar para o futuro numa perspetiva de compromisso, cooperação e ação conjunta que só a abordagem multilateral permite concretizar. No nosso mundo globalizado, em que muitos problemas extravasam as fronteiras nacionais, necessitamos mais do que nunca de organizações internacionais fortes, eficazes e comprometidas com o bem-estar de todos.

Portugal e o Peru compartilham desta visão multilateralista, participando ambos em organismos regionais e globais que asseguram a permanência de uma ordem internacional baseada em princípios e valores comuns: a Conferência Ibero-Americana e o seu Secretariado, a Parceria Estratégica entre a União Europeia e a América Latina, o sistema e as múltiplas Agências das Nações Unidas. Em  breve também, o Peru fará parte, como Estado Observador, da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, à semelhança de Portugal que pertence, por sua vez, com o mesmo estatuto, à Organização dos Estados Americanos.

Em todas essas organizações, Portugal e o Peru trabalham mão-na-mão com vista a partilhar experiências, reforçar laços de cooperação e promover entendimentos e acordos globais.

No âmbito bilateral, os dois países mantêm um excelente nível de relacionamento mútuo, que se estende da área política à economia e à cultura.

A visita de Estado que o Presidente Martin Vizcarra realizou a Lisboa em fevereiro de 2019 permitiu consolidar essa relação e projetá-la, com maior vigor, para o futuro próximo.

O nível de investimento de empresas portuguesas neste país é já de si considerável, contando com 23 presenças, algumas de grande dimensão em setores-chave da economia peruana como sejam as obras públicas (estradas, hospitais, pontes, teleféricos) e a energia renovável. Ainda há dias, uma empresa portuguesa instalou uma unidade fabril de botijas de oxigénio medicinal para equipamentos hospitalares em Iquitos, colmatando uma necessidade fundamental em tempos de combate ao coronavírus.

No plano cultural, assistiremos em breve à abertura de uma Cátedra de Estudos Portugueses na Universidade Mayor de San Marcus, com o apoio do Instituto Camões e da empresa portuguesa Fidelidade; e havíamos previsto ser o Pais Convidado de Honra da Feira Internacional do Livro de Lima em julho próximo – projeto que, infelizmente, teve de ser cancelado mas para o qual esperamos poder contribuir numa próxima edição.

No âmbito das suas competências consulares, a Embaixada de Portugal em Lima tem procurado dar todo o seu apoio aos cidadãos nacionais, turistas ou residentes, que dele necessitem. Organizámos um voo de repatriamento para os turistas portugueses que haviam sido retidos no país por força da pandemia e temos vindo a assegurar lugares de avião nos voos de regresso à Europa organizados por outros países da União Europeia.

Temos igualmente apoiado os cidadãos mais carenciados e colaborado com a ONG portuguesa Oikos no financiamento de uma linha de assistência humanitária para atender às situações mais prementes. Neste ponto, não posso deixar de destacar, louvar e agradecer o apoio financeiro prestado graciosamente pela empresa portuguesa Mota-Engil. A todos continuamos a apoiar na medida das nossas possibilidades, não poupando esforços em prol do bem-estar da nossa comunidade residente neste país.

Senhoras e senhores

Amigos de Portugal

Neste ano em que celebramos 881 anos de independência, é meu dever, que cumpro com muita honra e humildade, agradecer a todos quantos se empenharam em contribuir, de uma forma ou de outra, para o avanço desta relação exemplar entre dois Estados, Portugal e Peru, que se compreendem, se respeitam e se estimam, hoje mais do que nunca: às autoridades peruanas e nomeadamente ao Ministério das Relações Exteriores, por supuesto; às entidades privadas dos dois países, empresas, associações e cidadãos particulares, naturalmente; por último, aos funcionários da embaixada, com quem sempre pude contar.

Bem hajam!

Viva Portugal!

Viva o Peru!

  

Afonso Henriques de Azeredo Malheiro

Embaixador de Portugal no Peru

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